Existe lugar melhor para se discutir democracia do que uma das ‘casas do povo’? Foi com esse pensamento que se realizou, na Câmara Municipal de Ouro Branco, o evento Democracia, 30 anos – História, dilemas e perspectivas. Membros da comunidade e cerca de oitenta alunos do Instituto Federal de Minas Gerais participaram de atividades relacionadas ao tema no dia cinco de novembro de 2015. O evento integrou a IV Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo IFMG.

Na cerimônia de abertura, o diretor do IFMG Ouro Branco, Lawrence de Andrade Magalhães Gomes, destacou a importância do tema na construção da cidadania. Em seguida, a atual presidente da Câmara Municipal, vereadora Branca de Castilha Souza Cunha, ressaltou que a democracia precisa ser cotidianamente construída por todos, inclusive os mais jovens. Lembrou também que até pouco tempo a Câmara não estava disponível para utilização em atividades que não fossem os debates entre vereadores, ainda que esse espaço seja mantido pelos impostos dos contribuintes.

No período da manhã, houve um ciclo de palestras com acadêmicos. O primeiro a falar foi o professor doutor Mateus Fávaro Reis, do curso de História da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). Ele ministrou a palestra “A construção das democracias no Cone Sul (1983-2015): os desafios da História e da Memória”. Reis analisou as experiências autoritárias recentes na América do Sul e os significados políticos das diferentes terminologias usadas na região (regime militar, ditadura cívico-militar etc.). Lembrou também da importância da História discutir experiências não democráticas com aqueles que não possuem memória pessoal a respeito dos períodos autoritários recentes, caso dos alunos que cursam ensino médio hoje.

Em seguida, o historiador Wilkie Buzatti Antunes, mestre pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), narrou sua participação na Comissão Nacional da Verdade, grupo de trabalho designado pelo governo federal que existiu entre 2012 e 2014. Antunes trabalhou especificamente com violações de direitos humanos cometidas contra camponeses e indígenas por agentes do Estado ou em nome deste entre 1946 e 1988. Destacou que os números de crimes cometidos contra esses dois grupos é, muito provavelmente, bem maior do que se supõe. Seguiram-se às duas palestras dúvidas dos estudantes e membros da comunidade ourobranquense presentes.

No período da tarde, foi a vez dos alunos ocuparem o espaço da Câmara em uma atividade ao estilo “Parlamento Jovem”. Após lerem textos específicos, eles foram divididos em quatro grupos de deputados federais responsáveis por debater uma proposta de lei enviada pela líder do poder Executivo, a presidenta da República. Os textos e a proposta de lei diziam respeito a medidas para solucionar a crise energética atual, incluindo cortes e racionamento. Após discussões em comissões específicas, os deputados usaram o plenário para debaterem a proposta, que acabou vetada. Vale lembrar que a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia deste ano teve como tema “Luz, ciência e vida”.

O evento foi organizado pelos professores de Ciências Humanas do IFMG Letícia da Silva Bastos, Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos e Paula Elise Ferreira Soares. Contou com apoio fundamental dos seguintes professores e técnicos-administrativos: Gilmar Vitalino Dias, Lucas Camargos (diretor da Câmara Municipal), Aurélio Alves Ferreira, Leandro José de Souza Martins, Bruno Alves Valverde, Alexandre Arruda e Fabrício Marques de Oliveira. Teve ainda patrocínio da Play – Comércio e serviços musicais.

 

 

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