Por Paula Elise Ferreira Soares, professora de História do IFMG Ouro Branco

As sufragistas (Sufragette) é um filme produzido no Reino Unido, dirigido por Sara Gavron e que chegou aos cinemas brasileiros em dezembro de 2015. Trata-se da narrativa de uma parte da luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto no início do século XX. Nessa narrativa, somos conduzidos pelo olhar e pelas vivências da protagonista Maud Watts (Carrie Mulligan).

Maud Watts era uma operária resignada de uma lavanderia que, ao sair para fazer uma entrega, se depara com um grupo de mulheres que começam a quebrar vidros e vitrines de lojas e, ao mesmo tempo, aos gritos, reivindicam o sufrágio feminino. A partir desse momento, Watts percebe a existência de sufragistas, mulheres que, ao contrário do que ressoava nos comentários masculinos, não eram loucas ou desregradas, mas pessoas que lutavam por direitos básicos, por princípios de igualdade. Uma sequência de fatos leva Watts a se aproximar das sufragistas e a se tornar algo além de esposa e mãe. A protagonista, e junto com ela os telespectadores, passa a compreender todas as formas de opressão e injustiças a que tinha sido submetida e que, até então, havia considerado normais (desde assédios físicos e morais até a remuneração inferior aos homens). Ao tomar consciência das opressões ela se percebe parte de um grupo cujo destino, direitos e desejos eram constrangidos e cujas reivindicações e anseios não eram ouvidos pelas vias pacíficas tradicionais. Sendo assim, adere a estratégias de desobediência civil e enfrenta a sociedade e o governo da época.

Em meio à narrativa somos levados a perceber que a luta pelo voto feminino foi encarada por homens e também por mulheres do período como uma ameaça à estrutura social e, sobretudo, à família tal como era entendida. Percebemos os sofrimentos impostos àquelas que ousaram lutar por mais liberdade e igualdade de direitos. Em função disso, a grande contribuição do filme parece ser a capacidade de escancarar o medo que as mudanças na sociedade geram nos indivíduos e nos grupos; evidencia como nos sentimos ameaçados quando nossas crenças e costumes rotineiros são questionados; mas, sobretudo, nos ensina como as estruturas devem sempre ser reformadas para que a justiça, a liberdade e a igualdade de direitos e oportunidades sejam garantidas a todos. Ao final do filme, certamente, o telespectador perceberá a atualidade do debate sobre a participação política das mulheres e se tornará mais aberto ao debate de outras bandeiras feministas. Bandeiras que hoje, igualmente, são encaradas como ameaças sociais.

Textos e vídeos complementares

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